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Danças Folclóricas Árabes e Egípcias


I - TAHTIB, BENGALA ou DANÇA DO BASTÃO

É conhecida também como Raks Al Assaya. É uma dança folclórica, alegre, mais graciosa que a masculina.
É geralmente dançada ao som do ritmo Said, podendo também ser dançada com os ritmos Baladi e Maqsoum. Said é o nome de uma região ao norte do Egito, local de onde se originou tal dança.
Movimentos delicados onde as mulheres apenas manejam o bastão demonstrando suas habilidades com o objeto, usando-o também como uma “moldura” para mostrar o corpo durante a execução de seus movimentos.
As mulheres demonstram toda sua habilidade girando o bastão de várias formas sempre com muito charme e delicadeza. Ao dançar, a bailarina demonstra destreza, equilíbrio e sensualidade, e sua expressão deve ser de alegria.
A vestimenta cobre o ventre, como um vestido, que pode ser de vários modelos, com abertura lateral, ou não, justo ou mais folgado, entre outros. Acessórios como xales, cintos, enfeites de cabeça, brincos de medalhas são bem-vindos.
A curva da bengala deve estar geralmente pra baixo durante a dança. Mas também cabe lembrar que há bengalas sem essa curva, que se assemelham mais a um bastão. Qualquer um desses modelos é apropriado para dançar.
TAHTB
Dança com dois bastões longos, tipicamente masculina. Originária da região do Egito chamada Said, ao norte do país.
Dança que deu origem à versão feminina da dança da Bengala ou Bastão.
Dizem que esta dança surgiu porque os homens egípcios sempre carregavam consigo um cajado longo, que servia para caminhar, para se proteger em combates ou para pastorear rebanhos. E os homens acabavam usando este cajado para dançar em situações comemorativas.
Dançada ao ritmo de said, com marcações fortes de percussão (derbak, daff), guiado através de mizmar (aquela flauta que parece uma cornetinha de madeira, cujo som se assemelha ao de um mosquitinho).
Geralmente dois homens dançam juntos, aparentando e simulando uma luta. Eles fazem acrobacias com o bastão, demonstrando toda sua agilidade e habilidade, atacam e desviam os golpes de bastão um do outro. Pode-se notar que a movimentação desta dança é mais forte e mais agressiva do que a feminina.

II - RAKS EL DAFF ou DANÇA DO PANDEIRO

A dança do pandeiro muito provavelmente tem origem cigana, assim como todas as danças que utilizam objetos percussivos. Existem registros antigos que falam da utilização desse instrumento pelas sacerdotisas, com finalidade sagrada.
Essa dança era realizada com o sentido de comemoração, da alegria e da festa. Assim, como os snujs, acompanha-se seu som com o ritmo da música. Para dançar com o pandeiro usam-se músicas rítmicas que propriciem as marcações com o instrumento no corpo da bailarina.

III - DANÇA DO JARRO

  Um tipo de dança Ghawazee. Dança folclórica, surgida entre os beduínos (povos do deserto). Uma dança de reverência à água, que representa a vida.
A água era escassa e por isso sagrada no Egito Antigo, e só era obtida após as cheias do Rio Nilo. As mulheres, ao encherem seus jarros com água do Nilo, celebravam a vida através de movimentos de seus corpos com o jarro. Por isso é uma dança alegre, de celebração, comemoração.
É conhecida também como Dança do Nilo, como Raks Al Balaas, e também como dança da Samaritana.
O traje mais recomendado para a apresentação é o vestido, ou outro que mantenha a barriga coberta. Geralmente esses vestidos são longos e rodados, bordados com pastilhas ou moedas, com mangas compridas, na cabeça, usam lenços e adornos de moedas e metal.
O jarro pode ser de barro (ou imitando barro) ou enfeitado, depende da preferência. Os ritmos mais adequados são o Said e o Falahi. As letras sempre falam das mulheres ghaziya que vão pegar água no rio Nilo.
Os movimentos desta dança são alegres, descontraídos, animados. A bailarina faz movimentos com o jarro, além de colocá-lo algumas vezes sobre partes do corpo, como a cabeça, cintura e ombros.

IV -  MELEA LAFF

O nome significa lenço enrolado, e se originou no Egito, mais especificamente no subúrbio do Cairo e de Alexandria.
Dançada geralmente com um vestido, um chaddor e um lenço preto. O chaddor geralmente é de crochê, serve para cobrir o rosto e pode ser tirado no decorrer da apresentação.
O vestido, usualmente mais colado ao corpo, deve tampar o umbigo, e pode ser bordado ou não.
O lenço é preto, de tecido grosso e nunca transparente, podendo ser bordado ou não.
A bailarina inicia a dança coberta/ enrolada no lenço preto e durante a apresentação ela o solta para dançar com ele.
A dança com o lenço permite um jogo de “mostra e esconde”. Já que em alguns momentos a bailarina se enrola no lenço e em outros ela o manuseia. Ás vezes ela o enrola no quadril, outrora no tronco, destacando as formas de seu corpo. E às vezes brinca fazendo “gracejos” com as pontas dele.
A bailarina tem que ter habilidade para segurar e movimentar bem o lenço, para acrescentar charme e graça, caso contrário a dança fica poluída e prejudicada.
A dançarina masca chiclete durante a dança (tradicionalmente as egípcias costumam mascar goma de miske), dando um ar de irreverência e brincadeira à dança.
A música é sempre muito alegre e festiva, geralmente nos ritmos malfuf ou falahi.
Por ser uma dança de subúrbio, a sensualidade de uma apresentação deve ser suburbana. Ou seja, a bailarina tem que ser muito charmosa e carismática, ser levemente ousada e exagerar na movimentação, porém sem cair na vulgaridade.

V- KHALEEGE ou KHALIJE

Khaleege em árabe significa Golfo, e é uma dança também conhecida como Raks El Nacha´at.  Khaleege é a dança dos países do Golfo Pérsico e Península Arábica. É tradicionalmente feita por mulheres e em grandes círculos, mas hoje homens também podem dançar.
Há 03 estilos de Khaleege:
1. Tribal: do Golfo Pérsico;
2. Iraquiano: Influência cigana, parecido com o que vemos hoje;
3. Maghreb: influência do norte da África.

Para o estilo Tribal e Iraquiano, a roupa típica é uma bata larga e comprida de um tecido fino com bonitos bordados na frente. Por baixo, pode-se usar calça "jeannie" ou vestido. As bailarinas profissionais podem usar a roupa tradicional  de 02 peças usadas na Dança Oriental. Não se usa nada no quadril. A marcação é muito simples com o pé que lembra um movimento pequeno e rápido na areia do deserto, movimentos de ombros e cabeça enfatizando o balanço dos cabelos. No estilo iraquiano utiliza-se também as mãos batendo no corpo, o que certamente é de influência cigana, uma alusão aos antepassados em tempos remotos. Marcam o quadril ajustando a bata a ele. Tradicionalmente, pintam-se com henna aa mãos, queixo, testa e olhos.
Já o estilo Maghreb, a roupa típica também é a bata, porém usam lenços no quadril e calças por baixo, os bordados são mais pobres. O quadril é mais forte, evidenciado pelo lenço. Os movimentos de cabeça não são usados.
O ritmo utilizado é o AYUBI ou SOUDI.

VI - DABKE

Dabke é uma dança folclórica de muitos países árabes.
Apesar de ser originalmente masculina, hoje em dia pode ser vista sendo dançada por toda a família.
Dançada em grupo, com as pessoas de mãos dadas formando uma roda ou uma meia-lua.
É uma dança relativamente simples, com contagem de quatro passos, sendo que o quarto é a batida do pé no chão.
Os ritmos mais adequados são o Said e o Mcalfuf. A música é alegre, e quase sempre acompanhada de derbak e da flauta Mijwiz.
Assim como a música, a dança também é alegre, e quase sempre dançada pelos árabes quando presentes em uma festa.
Comumente vê-se este tipo de celebração no Brasil por ocasião de encontros de árabes em bares, restaurantes ou festas.
Por ser uma dança de fácil execução, é possível aprendê-la durante uma festa e participar da celebração do Dabke.

VII - DANÇA DAS FLORES

Dança festiva e comemorativa, na qual a bailarina dança com um cesto de flores ou de pétalas de flores.
Dizem que esta dança surgiu na época em que as camponesas egípcias trabalhavam na colheita de flores durante a primavera, e para amenizar o trabalho, cantavam e dançavam.

Mais adiante, tornou-se uma dança comum nas festas populares.

É uma dança delicada e alegre. Boa para começo ou abertura de show, bem como para comemorações especiais como dia dos namorados, dia das mães.

Não há trajes, ritmos ou músicas especificas, mas sugere-se dançar ao som de músicas alegres e que tratem de temas relacionados a flores ou colheitas.

Enquanto dança, a bailarina pode segurar o cesto de flores na cabeça, no ombro, ao lado do quadril, etc. Pode prender uma flor entre os dentes, bem como movimentar e segurar a saia enquanto dança.

A entrega de flores ou pétalas ao público durante a dança é comum também, e acrescenta um charme à apresentação.

Dicas de movimentação:

-segurar a cesta com uma mão e a outra colocar na cintura, e fazer alguns movimentos de quadril como básico egípcio e oitos;

-fazer desenhos no ar (como círculo por exemplo) com o cesto nas duas mãos.
-segurar o cesto sobre um ombro e fazer básico egípcio e oitos;
-segurar o cesto com as duas mãos e aproximá-lo do movimento de quadril, por exemplo do básico deslocando;
-segurar o cesto acima da cabeça e fazer oitos;
-colocá-lo no chão e dançar próximo a ele antes de pegá-lo novamente.





Hagalla - dança das mulheres beduínas

Escrevo aqui um pouco mais sobre as danças do deserto.
Mahmoud Reda trouxe ao Ocidente sua versão da dança Hagalla, uma coreografia muito bem estruturada e completa que tornou-se conhecida pelas dançarinas do mundo todo e passou a ser base de estudo dos movimentos como o twist e pequenos saltos presentes no folclore egípcio.
O movimento iniciado por Mahmoud Reda, na década de 60, correspondeu a uma virada do Egito para a cultura egípcia, pois até então, a preocupação das dançarinas era justamente copiar gestos e movimentos das danças ocidentais.
O que é o Hagalla? A palavra quer dizer: pulos, saltitar e corresponde ao mesmo significado do Said, felicidade, podemos pensar na expressão: "Pular de Alegria", pois bem, é uma dança tradicional dos beduínos, presente no deserto do Sahara até o Líbano, cuja versão antiga, uma mulher dançava para um grupo de homens e escolhia um deles para ser seu esposo. Obviamente são resquícios de um passado remoto como as danças do Golfo, que em épocas pré-islâmicas foram utilizadas para disputar futuros noivos.
Atualmente o Hagalla é interpretado por diversos grupos folclóricos e bailarinas de dança do ventre e dispensa esse pequeno teatro, podendo ser dançada apenas com mulheres.

A música utilizada para essa dança segue um repertório dividido em três partes:

Shehaywa - Introdução ritmica e um coro anunciando o início e repetindo um refrão que geralmente conta a história do casal apaixonado.

Ghennaywa - solo musicado ou improviso de um poeta cantando sobre o amor.

Magruda -  retorno do coro anunciando o desfexo da história e repetindo novamente o refrão.

O ritmos de base são:

Fellahi 2/4

Malfouf 4/4

Saidi 4/4

As beduínas vestem-se com a idumentária de uso diário, um longo vestido parecido com um kaftan, durante os shows adornam-se com figurino de tecido mais leve e colorido enquanto que as dançarinas de dança do ventre vestem o modelo criado por Mahmoud Reda, sobre o vestido baladi colocam uma saia bem rodada com vários babados para ressaltar o movimento dos quadris. Tradicionalmente cobre-se os cabelos com um manto negro chamado Tarha.


ZAMBRA


O Zambra é o Flamenco Árabe, mais ou menos o que seria uma mistura do Flamenco com danças árabes, mais provavelmente, com a dança ghawazee. Para quem não sabia, os árabes (não exatamente "árabes", mas muçulmanos que falavam árabe advindo de povos dominados e islamizados do norte da África, em sua grande maioria) dominaram parte da Península Ibérica por 700 anos. Portugal não possui a mesma influência que a Espanha, pois conseguiu sua unificação no séc. XIII ainda, mas a Espanha permaneceu sob domínio islâmico até o séc. XV, quando a última cidade reduto árabe foi tomada: Granada. A Andaluzia, assim, foi e ainda é um grande exemplo de influência árabe no Ocidente, cidades como Córdoba, Granada, Cádiz ainda possuem - apesar da grande aversão espanhola por vários séculos aos árabes, ainda presente em intelectuais como Serafin Fanjul - várias marcas da presença muçulmana em sua arquitetura, organização social, idioma e cultura - aqui incluindo música, dança, festas típicas. O próprio Flamenco é contemporâneo do Zambra, ainda que não seja preciso dizer quem surgiu primeiro, e "quem influenciou a quem".

O nome Zambra vem do árabe "Samra", que quer dizer "morena". Este estilo é o que embalava as festas mouriscas (de "mouro" = bérbere = habitantes do norte da África), as quais sempre eram marcadas por muita alegria, palmas, algo bem próximo de festas ciganas, sendo um estilo característico da Andaluzia. Nesta região quatro povos trazidos pela dominação islâmica foram os principais veículos para esta fusão cultural: os bérberes, os turcos (provenientes de Damasco), os tartésicos (já estabelecidos em Guadalquivir, e descendentes das dinastias egípcias) e os ciganos (vindos do Egito, Índia e Europa Oriental).

O Zambra atualmente é uma tentativa de recriar este ambiente de comemoração, e suas apresentações são uma mistura de coreografia e improvisação. Em grupo elas são coreografadas, mas em solos elas geralmente são improvisadas. Os passos, como já comentara, são mistura entre o Flamenco e a dança do ventre "pé no chão" (nada de meia-ponta, arabesque, giros do jazz, aqui é dança do ventre ghawazee). Do Flamenco, temos os posicionamentos dos braços, a postura (ombros para trás, demonstrando valentia), o movimento das mãos (para fora, ao invés para dentro da dança do ventre), sapateado, palmas. Da dança do ventre antiga temos: as ondulações, camelos, tremidos, básico egípcio. Os deslocamentos são como os ciganos, algumas vezes as dançarinas pegam nas saias e a sacodem como ciganas, ou andam com elas na mão, cobrindo parcialmente o corpo. Nesta dança há também o uso de muitos acessórios: xales, leques, bastões, velas, e instrumentos como castanholas, facas, címbalos, pandeiretas, percussões, entre outros.

A roupa das dançarinas de Zambra é semelhante a uma roupa cigana, mas também podem ter a barriga descoberta. Sempre tem o quadril adornado por um xale ou por um cinturão de medalhinhas. A saia densa e rodada é característica, a maioria são saias ciganas, mas há variações. A parte superior que se alterna bastante, desde a um bustiê comum a blusas com longas mangas de babados, sendo também muito usadas blusas ciganas (aquelas fofas na manga usadas com as mangas caída no ombro, desnudando o colo). Algumas dançarinas adotam o estilo ghawazee para compor seus figurinos, com lenços de medalhinhas na cabeça e um visual mais carregado de adereços (moedas, miçangas, etc).


ANDALUZ

A história da dança oriental está intimamente ligada à história dos ciganos. Eles vieram da Índia e emigraram até a Espanha, para a região de Andaluzia.
O Flamenco é a representação e expressão da história, cultura e sentimento de um povo: o Povo Andaluz (pois é, justamente o povo da região da Andaluzia - então aí já juntamos os ciganos e os espanhóis).
Na dança do ventre, a "Dança Andaluz” faz parte do folclore árabe e leva influências do Ballet Clássico, priorizando a elegância e uma postura alongada (como no Flamenco também).
A “Dança Andaluz” era apresentada em palácios reais, nos grandes eventos, e por isso é mais sóbria do que as outras danças folclóricas. A música para a “Dança Andaluz” é bem melódica e a bailarina apresenta muitas poses, passos de deslocamento, giros, movimentos de braços, mãos e quadris sutis.

Como surgiu a dança Andaluz
Com a habitação dos mouros os Ibéricos adquiriram novos conhecimentos em agricultura, medicina, construção, engenharia e etc, como não poderia ser diferente os mouros também receberam conhecimentos que começaram em Andaluzia a primeira região invadida que pertencia, (e ainda pertence), a Espanha.
Por isso do nome Raks al Andalus, que significa dança do Andaluz, essa dança era usada para divertimento de sheiks e Sultões em seus palácios e em grandes eventos.


Estilo de dança Andaluz
A dança Andaluz ou Raks al Andalus possui influencia de vários clãs de  ciganos de varias regiões principalmente dos ciganos egípcios,( que se chamam  ghawazee) , alguns dos ritmos de origem andaluz são o ritmo samaai e masmudi, os deslocamentos da dança são graciosos e delicados com movimentos que lembram o ballet. A roupa usada para a performance é a de odalisca com calça bufante confeccionada em tecido leve, com cós e os tornozelos franzidos com  ou sem aberturas laterais, possui também coletinho  e algumas vezes a cabeça coberta com um véu fino, envolta de um chapéu.
Desde o século 07 a cultural árabe floresceu na Espanha. Muitas pessoas diferentes cruzaram o mar do Norte da África rumo a Espanha, muitas vezes escapando de invasões em seus países. Na maioria, eram grupos de Berberes, que também se assentaram na Sardenha, Ilhas Canárias e na Sicília. O termo berbere significa amazigh = povo livre, sempre aberto a novas idéias e religiões.
A música andaluza foi sofreu grande influência persa. Nesta época,, o califa Harun el Rachid fez de Bagdá, de influência predominantemente persa, um centro de cultura árabe. Havia lá um músico muito talentoso chamado Zyriab. Seu talento despertou o ciúme de alguns de seus professores, que, para se garantirem como melhores músicos da cidade, mandou Zyriab para a Andaluzia.
Lá, Zyriab ajudou na formação de escolas de música em Granada, Sevilha, Córdoba e Valência. Assim, os músicos se influenciaram mutuamente, e aos poucos, árabes e espanhóis criaram um novo estilo de música. Acredita-se que alguns instrumentos utilizados na música espanhola tenham sua origem em Bagdá e no Norte da África.
No ano de 750 aproximadamente, +/- na mesma época de Zyriab, vários músicos e dançarinos foram expulsos de países árabes, devido ao Islamismo, que considerava a música e dança como entretenimento nocivas às virtudes. “Música diminui a modéstia, aumenta a luxúria e solapa a virilidade. Faz o que as bebidas fortes fazem”, diziam os califas em vários países árabes. E mais se misturou a música árabe à espanhola.
Além da influência persa, berbere e árabe, a música andaluza sofreu também uma pequena influência chinesa, devido ao comércio feito na antiguidade na “rota da seda”.
A dança árabe andaluza é uma dança de corte. Contém movimentos delicados e complexos das mãos. Originariamente praticadas por dançarinas levadas dos países árabes e por escravas que eram educadas para cantar, dançar e tocar instrumentos.
Hoje em dia, tornou-se a dança das cidades antigas, praticadas por mulheres que descendem das antigas famílias. A roupa utilizada chama-se algieres karakus, um vestido de veludo lindamente bordado e uma calça chamada serval. As mulheres dançam juntas e usam lenços para enfatizar os movimentos das mãos.

Ghawazee
Informações do site Belly Dance Chicago

Ghawazee era o nome de um dos mais famosos grupos de dançarinos nômades do Egito. As mulheres Ghawazee eram chamadas de Ghazeeye e os homens de Ghazee. Porém, o nome Ghawazee era geralmente usado para se referir às dançarinas. Assim como muitas formas de dança oriental, grande parte da história dos Ghawazee é desconhecida devido à falta de documentação histórica.
Os Ghawaaze professavam a fé mulçumana e falavam a mesma língua, mas não eram de origem egípcia. Os Ghawazee eram conhecidos por não se parecerem fisicamente com os egípcios e suas mulheres eram consideradas, por muitos, as mais belas do Egito.

Escritores ocidentais retratam as dançarinas Ghawazee florescendo como uma parte bem aceita da sociedade egípcia por volta de 1700. Isso durou até cerca de 1834, quando foram expulsas devido a pressões religiosas. A principal razão para o banimento era o fato de as mulheres Ghawazee não usarem véus para cobrir o rosto.

Os Ghawazee viviam nas grandes aldeias do Egito, sobretudo no Alto Egito. Nas cidades do delta, moravam em assentamentos de tendas e barracas. Eles prezavam muito pelos bebês de sexo feminino e consideravam um filho homem como uma desgraça econômica. Isso tudo porque as mulheres Ghawazee, sem exceção, eram criadas para se tornarem prostitutas e dançarinas. Antes de uma menina se casar, seu pai venderia seus "serviços" a quem pagasse mais. Ela então, normalmente, se casaria com um homem de seu próprio grupo.
Os Ghawazee viajavam de cidade em cidade, participando de feiras e acampamentos. As mulheres dançavam nas ruas, geralmente recolhendo dinheiro com o pandeiro depois do show. Enquanto os homens tocavam instrumentos, as mulheres dançavam sozinhas ou com dançarinas de outros grupos, ao mesmo tempo em que tocavam snujs. Também era comum que dançassem em ocasiões festivas em haréns, casamentos e nascimentos. As mulheres Ghawazee desfrutavam do prestígio de serem as dançarinas mais conhecidas do Egito.
As Ghawazee conviviam com os cidadãos mais ricos da região. Essa segurança financeira permitia que as dançarinas adquirissem considerável riqueza, fama e bons casamentos. As mais ricas se vestiam com seda e usavam colares, tornozeleiras, pulseiras de ouro e adornavam a cabeça com moedas. Algumas ainda usavam piercing no nariz. Geralmente, as Ghawazee usavam trajes quase idênticos aos das mulheres da classe média egípcia. Tanto homens quanto mulheres pintavam os olhos com kohl (pó preto usado para maquiagem) e tatuavam as mãos e os pés com henna, seguindo o costume das classes média e alta do Egito. Alguns Ghawazee conquistaram muita riqueza, casas luxuosas, escravos e gado.
A dança das Ghawazee pode ser descrita como um tanto "pesada" e sensual. Shimmies, batidas de quadril e giros são uma espécie de consenso em todas os estilos de dança do ventre. Mas os shimmies das Ghawazee, por exemplo, eram feitos de movimentos paralelos ao chão, para frente e para trás, ao invés de um movimento vertical, para cima e para baixo. Além de realizarem outros movimentos como cambrês, e tocarem snujs, era comum ouvir gritos estridentes e zaghareets (yalalalalalalala :D) das dançarinas durante sua apresentação. Seus gestos geralmente convidavam o público a bater palmas e a dar dinheiro.
Além das dançarinas Ghawaaze, existiam também as Jawari (ou Jawaree), concubinas, que também praticavam o que chamamos de dança do ventre. Diferentemente das primeiras, as Jawari não possuíam liberdade, elas eram escravas sexuais, mas deveriam ser instruídas para entreter seus senhores, com filosofia, poesia, música, canto e/ou dança.

 ZAAR
 
O Zaar, mais do que um estilo, é uma expressão religiosa, um ritual. O ritmo - Ayoub - usado para promover o transe desta dança, também pode ser conferido em rituais afrorreligiosos, como o candomblé, e serve para afastar maus espíritos.

O ritual Zaar é feito exclusivamente por mulheres, os homens - músicos ou ajudantes nos sacrifícios - participam para entoar o ritmo Ayoub, enquanto elas movimentam a cabeça, jogando os cabelos, até entrar em transe e cair no chão, e assim se libertar dos espíritos ruins. Por rechaçar tais espíritos causadores de males, o Zaar é considerado uma dança de cura através da conciliação dos espíritos em seu corpo. Logo, o Zaar não é um exorcismo, pois os espíritos não deixam as mulheres que dançam, apenas se "acomodam".

Existe todo um aparato para a realização deste ritual, como a roupa branca e o perfume da mulher que entrará em transe (o perfume como oferenda), e até sacrifício de animais (desde galinhas até camelos, se a mulher for rica) para ser consumido pelos participantes. Dessa forma, o Zaar, como ritual, é algo bem diferente daquele praticado para a dança do ventre, pois carrega uma simbologia e uma religiosidade fortíssima, que não deve ser menosprezada. Por causa dessa forte ligação com a magia, o ritual Zaar é proibido nos países islâmicos, o que não impede a sua realização em meios privados, uma vez que é uma tradição familiar (passada de mãe para filha), e que muitos acreditam ser necessária para a cura de enfermidades.Na dança do ventre, o estilo Zaar aparece na utilização dos passos usados para as mulheres entrarem em transe. Neste caso não há teor religioso, apenas se marca o ritmo Ayoub com o estilo Zaar, sem a intenção ritualística: a dançarina joga a cabeça pros lados e a gira, podendo também usar movimentos pélvicos e de braços.

BALADI
É um dos ritmos mais executados no Egito e no Líbano, assim como o Said. Possui marcações fortes e retoma a cultura popular, as origens familiares e o significado da terra natal. A própira palavra baladi, traduzida, significa “minha terra”. Desta forma, também representa aquilo que é simples, comum, do dia a dia. Também é conhecido como beledi ou balady.
Dicas de passos
Como é um ritmo muito forte, os acentos (DUMs) precisam ser bem marcados na dança com básicos egípcios, deslocamentos e batidas de quadril. Atenção: na sua versão folclórica e tradicional da dança baladi, não há passos influenciados pelo balé e pelo jazz, afinal retoma aspectos tradicionais da cultura. Neste caso, é sempre dançado com o pé no chão e com roupas mais simples, nunca com o conjunto saia-cinturão-top.
Em outras músicas em que o ritmo apareça, não valem estas características. O percussionista Hossam Ramzy, em um texto sobre o Baladi, no seu site, afirma que “Se você me perguntar quem é a melhor dançarina de Baladi em todo o Egito hoje, a resposta é simplesmente LUCY”. (tradução livre)
Em árabe, significa “minha terra” ou “caipira” dentro das cidades, sendo uma dança popular realizada por mulheres e homens em casa, nas festas domésticas, etc, podendo ser feita também em caráter solo. Não é uma dança folclórica, que costuma se limitar a determinado grupo étnico. É a dança do dia-a-dia no Egito.
A roupa que melhor representa um baladi popular é a galabia, com lenço na cabeça e no quadril. Mas a roupa de Dança do Ventre pode ser utilizada, de preferência com a barriga tampada com um vual, já que é uma dança popular. A escolha das roupas sempre depende do contexto que você estará: show, festa da colônia árabe, teatro, etc. Os snujs podem complementar a dança.
A improvisação vocal (maual) ou instrumental (taksim) está sempre presente na dança baladi. O maual é a introdução vocal que o árabe faz; descende de um canto religioso segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões.
Na dança baladi, os instrumentos mais presentes são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O acordeon é um instrumento francês e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante. Ele é muito utilizado na entrada como taksim, em que a percussão entrará depois. “Pergunta e resposta” entre dois instrumentos é bem comum nessa dança.
A bailarina brasileira Maira Magno considera 3 tipos de baladi:
- Alexandria (meleah-laff)
- Sul do Egito (saaid e ghawazee)
- Norte do Egito
Os gipsy usam a nay e a rabab com a estrutura do baladi, incorporando o acordeon dos turcos em torno de 1700. As ghawazee são do norte do Egito, vindo da Turquia; porém atualmente, eles se concentram mais no sul, como em Luxor. A bailarina egípcia Fifi Abdo costuma representar um baladi mais ghawazee, que não é uma dança bem vista pelos egípcios. Ela representa uma personagem popular, a Marlena, que o bailarino egípcio Mahmoud Reda levou aos palcos com a dança meleah laff.
Os saaid são considerados os verdadeiros egípcios e sua dança é normalmente representada com “as-saya”, ou seja, bastão.
A bailarina egípcia Souhair Zaki é do norte do Egito e é a maior representante da dança baladi (da forma mais conhecida aqui no Brasil). Ela é especializada em Oum Kholsoum e taqsim baladi, tendo uma dança mais doce, mais introspectiva, mais típica do interior. Essa dança deve parecer uma improvisação, porque ela é improvisada culturalmente! As egípcias usam tanto as mãos quanto o quadril, com pouco braço e o tronco mais parado que puder. Oitos e camelos são pequenos e os redondos são usados mais para deslocamento.
Quando o baladi é cantado, pode ser chamado de Shaabi, que é uma palavra árabe para folclore no Marrocos, porém no Egito, é uma dança urbana das classes D e E. São músicas que falam sobre o cotidiano dessas classes, muitas vezes, sobre temáticas pejorativas. Para representar um shaabi autêntico, não se deve estar preocupado em seguir a música, apenas dançar, sendo menos complexo possível, permitir-se. Os maiores cantores atualmente no Egito são Hakim e Saad el Soghayer.

Guedra - ritual das mulheres Tuaregs

    Originário das tribos Tuaregs do Maghreeb, o Guedra está presente desde a Mauritânia, Marrocos até a Argélia. 
    Os Tuaregs são pertencentes ao grupo étnico dos Berberes, a palavra Tuareg é utilizada para distingui-los dos demais, pois toda as suas vestimentas são azuis. O povo azul, para quem não sabe, forma os primeiros produtores do pigmento azul utilizado no tingimento do jeans, o azul indigo provém desse povo que não se autodenomina Tuareg, mas  "Kel Tagilmus" o povo do véu (fonte de informação Morocco).
    Como são Bérberes carregam costumes e tradições muito antigos de tempos pré-islâmicos, entre eles, a liberdade feminina principalmente quando se refere à sexualidade, o respeito aos elementos da natureza.
O povo Berbere sofre discriminação pelos árabes do norte da África.

Significado da palavra Guedra
A palavra Guedra significa "pote" devido ao seu único instrumento musical, um tambor feito de barro, pedra ou metal (geralmente uma panela improvisada) coberta por pele de cabra. O tambor Guedra é responsável por conduzir os dançarinos durante o ritual.
Diferente do Zaar egípcio em que acontece uma espécie de exorcismo, o Guedra é executado para abençoar os amigos, as visitas, os casamentos e os recém-nascidos.
Significado da Dança
    A dançarina Morocco, em um artigo, nos explica o  possível significado do Guedra, aliá muito bonito. O tambor ao mesmo tempo pote de cerâmica utilizado na culinária tuareg, representa o corpo humano feito de barro e coberto por pele, o som produzido por ele representa as batidas do coração, fonte indispensável para a vida. Esse significado se repete em outros rituais do Oriente, não é novidade, mas continua sendo poético. Alguns chegam a afirmar que o som do tambor atrai os amigos de longe.

O ritual dançado





    Num artigo de Karol Harding,  versão de 1996 (encontrei ontem no meu acervo) 



por sua vez baseado nas descrições da bailarina Morocco a respeito da vida dos Tuaregs a dança Guedra possui as seguintes características:


O ritmo Guedra
  Executado com apenas um instrumento o ritualo do Guedra depende do canto e das palmas.
A base rítmica  : Duh Dah m Duh Dah/ Dun Dah m Duh Dah.
As palmas são alternadas entre o grupo, uma parte bate 1 e a outra bate 2.

   Normalmente é um ritual noturno, realizado à luz da lua e ao redor do fogo, não impede de atualmente você assistir um show especial para turistas, em plena luz do meio dia (são as condições de dessacralização que a vida contemporânea nos reserva).
  O ritual tem início com uma mulher, coberta por um véu preto (Haik), representando a escuridão do caos. As mãos se direcionam aos pontos cardeais, mimetizando os quatro elementos (fogo, terra, ar e água) e o tempo (passado, presente e futuro). 
   Aos poucos ela vai acompanhando o ritmo com o corpo, mostrando a ordem cósmica necessária para a criação do Universo e suas criaturas. Os gestos das mãos simbolizam, a beleza, o amor entre os elementos, o drama, a tristeza.
Significado básico das mãos:

mãos ao alto - paraíso
mãos para baixo - terra
ondulações do pulso para baixo - águas
quando para trás - passado
nas laterais - presente
para frente - o futuro



O grupo acelera as batidas do tambor e das palmas motivando a dançarina a cair no transe, quando isso acontece ela cai ao chão e outra dá início a dança.A queda corresponde a um transe e não a uma coreografia programada, assim como no Zaar e aqui segue um comentário crítico, é muito estranho assistir a performances em que as bailarinas não tiveram uma contextualização e caem porque devem cair. Para o professor que irá transmitir a interpretação do ritual do Zaar é importante repassar a queda como um desfalecimento que antecede a incorporação.

O Traje
  A túnica azul é feita à maneira romana, dois tecidos presos nos ombros por fivelas, pode-se dançar com um longo kaftan e nunca utilizar a vestimenta de Dança do Ventre estilo Cabaret, pois, as músicas são religiosas e com temas muçulmanos.
   Os cabelos são trançados com búzios e enfeites comuns às mulheres Tuaregs, enquanto que os adornos de metal fundido, são bem rústicos e misturam pedras, âmbar e corais. As mulheres Tuaregs tatuam as mãos com henna, pintam os olhos com Kohl e decoram o rosto com tinta vermelha e amarela.
)O(
Isis Zahara

Informações:
Jasmin Jahal
Ibrahin Farrah
Karol Harding





Leia mais: http://www.dancadoventrebrasil.com/2009/07/estilos-zaar.html#ixzz21jaAVdBB

Fonte: www.centraldadancadoventre.com.br
Apostila didática e teórica do curso profissional com Letícia Soares


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